Há uma probabilidade de 50% de vivermos em uma realidade simulada, diz artigo publicado na edição de outubro de 2020 da Scientific American.

“A probabilidade posterior de estarmos vivendo na realidade de base é quase a mesma que a probabilidade posterior de sermos uma simulação, com as probabilidades inclinadas a favor da realidade de base apenas um pouco,” explica Anil Ananthaswamy, autor do artigo.
Entre as evidências utilizadas para sustentar sua afirmação, o jornalista especializado em fontes científicas recupera as conclusões de um ensaio realizado por Nick Bostrom, filósofo sueco da Universidade de Oxford, em 2003, onde ele apresenta um cenário em que a realidade é composta por seres virtuais gerados por um computador.
Bostrom assume que, nesta situação, pelo menos uma das três afirmações a seguir é:
- A humanidade sempre se extingue antes de desenvolver a capacidade de criar uma simulação da realidade.
- Se fosse para atingir essa capacidade, os humanos não teriam interesse em simular seu próprio passado ancestral.
- A probabilidade de estarmos vivendo dentro de uma simulação é próxima de um.
“Segue-se que a crença de que existe uma possibilidade significativa de que um dia nos tornaremos pós-humanos executando simulações de ancestrais é falsa, a menos que estejamos atualmente vivendo em uma simulação,” cita Ananthaswamy.
Da mesma forma, o jornalista recupera as conclusões de um estudo realizado pelo astrônomo David Kipping, da Universidade de Columbia. Com base no argumento de Bostrom, o cientista calculou a probabilidade de um evento denominado 'probabilidade posterior', com base em uma suposição sobre o objeto em questão e atribuindo-lhe uma 'probabilidade anterior'.
Da mesma forma, ele agrupou os dois primeiros postulados de Bostrom em um único dilema, considerando que, em ambos os casos, o resultado final é a exclusão das simulações. Os dois cenários resultantes indicam uma hipótese física (sem simulações), bem como outra hipótese da simulação (existe uma realidade base e também simulações).
Kipping levou em consideração que a hipótese física é uma realidade que não gera novas realidades, embora no caso da hipótese de simulação, a maioria das realidades simuladas também não criem novas realidades, pois, a cada nova simulação dentro da outra, -chamado supercomputador do mundo real, em algum ponto exauriria seus recursos.
Ao aplicar todo esse raciocínio a uma fórmula bayesiana, que permite calcular a probabilidade de um evento, Kipping conclui que o cenário em que vivemos em uma realidade verdadeira é apenas um pouco mais provável do que o de um mundo virtual.
A teoria da simulação tornou-se amplamente conhecida após o lançamento do filme Matriz (1999), no entanto, Ananthaswamy lembra que Platão especulou sobre a mesma possibilidade séculos atrás.
Da mesma forma, destaca que o diretor da Tesla e fundador da SpaceX, Elon Musk, é um dos mais conhecidos apoiadores das propostas de Bostrom por considerar que as probabilidades de não sermos simulados são “Um em bilhões”.




